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O que o Dia dos Pais ensina sobre comunicação em família

Ontem foi Dia dos Pais e eu passei o dia com o meu. À noite, depois que meu pai colocou o pijama, ele desceu e subiu várias vezes os 17 degraus da casa contando os filhos. Cada degrau era um nome. Marco, Toni, Cláudia, Charles, Luciano. Marco, Toni, Cláudia, Charles, Luciano. Ele fez isso até acabar os degraus, foi e voltou, como quem não quer esquecer a ordem em que cada um nasceu.

Meu pai se chama Edson e tem 95 anos, caminhando para 96. Vive o que eu chamo de inverno da vida. Sempre foi muito lúcido, gostava de falar sobre o passado,, de contar histórias…. Um homem muito inteligente. E continua sendo tudo isso, só que um pouco mais lento, como é da idade. Às vezes esquece alguma coisa, mas procura lembrar. A memória vai ficando mais frágil, e ele sabe disso. Então ele encontra maneiras de segurar o que importa.

Comunicação e afeto

Naquele gesto simples, havia uma lição que vou carregar para a vida e para o meu trabalho. Comunicação não é só falar. É repetir o nome de quem a gente ama para não esquecer. É transformar cada degrau em um abraço, cada subida em um exercício de presença. Meu pai não estava apenas testando a memória. Ele estava dizendo, sem dizer, que os filhos sempre foram a vida dele.

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O Dia dos Pais foi um dia muito alegre. Nos reunimos todos, só faltou um filho para o almoço. Eu vim de Belo Horizonte de ônibus, porque Betim, onde eu moro, é distante Minas Novas, onde eu e meus irmãos crescemos e onde meus pais moram.

De carro, perderíamos um dia viajando e outro para voltar, ficando apenas um dia com ele e minha mãe. Preferimos vir de ônibus para ganhar três dias inteiros ao lado da família. Minha filha Ana saiu de Belo Horizonte no sábado e chegou no domingo, viajando 500 quilômetros só para almoçar com o avô, os tios e o pai. Voltou no mesmo dia. Quinhentos quilômetros por um almoço e muitos abraços.

É disso que eu quero falar. Da família unida e feliz. De um pai que envelhece com alegria, cercado de gente que cuida dele, porque ele é uma pessoa boa e merece. E de como é importante celebrar enquanto a gente tem. Porque a presença é a forma mais sincera de comunicação que existe.

A autenticidade que torna tudo mais real

Ela não precisa de palavras bonitas, nem de discursos ensaiados. Ela precisa de gente que atravessa 500 quilômetros por um almoço, de filhos que se esforçam para estar perto, de um pai que conta os filhos nos degraus para não esquecer nenhum.

Comunicar bem, no fim das contas, é isso. É usar a voz, o gesto e a presença para dizer ao outro que ele importa. Meu pai me ensinou ontem, subindo e descendo 17 degraus, que a melhor mensagem que a gente pode enviar é o nome de quem amamos, dito sem pressa, na ordem certa, enquanto ainda há tempo

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