Você já recebeu um e-mail que parecia escrito por um robô burocrata? Aquele texto cheio de “conforme supramencionado”, “vimos por meio deste informar” e “desde já agradecemos a atenção dispensada”? Se sim, você sabe como é difícil entender e como dá vontade de nem terminar de ler.
A verdade é que a maioria de nós escreve para impressionar, não para comunicar. E o resultado é desastroso: mensagens longas, confusas e frias, que ninguém termina de ler.
Mas aqui vai a boa notícia: escrever bem não é dom. É técnica. E você pode aprender hoje.
O problema: escrevemos para o papel, não para a pessoa. Quando escrevemos no trabalho, costumamos fazer uma coisa estranha: esquecemos que do outro lado tem um ser humano.
Pensamos no chefe, no cliente, no relatório — mas não na pessoa real que vai ler. O resultado? Textos que parecem ter sido escritos para um arquivo, não para alguém. Pense assim: se você estivesse conversando com seu amigo no WhatsApp, você escreveria “conforme supramencionado”? Claro que não. Você escreveria “como eu disse antes”. Então por que, no trabalho, a gente muda? A resposta é simples: medo. Medo de parecer informal demais, de não soar profissional, de errar. E esse medo nos faz esconder atrás de palavras difíceis.
O que fazer no lugar: a regra de ouro
A regra é simples e vale para qualquer texto: escreva como você fala. Não literalmente. Você não vai colocar gírias num relatório. Mas no sentido de clareza. Se uma palavra comum funciona, use a comum. Se uma frase curta funciona, use a curta.
Na prática:
Troque “utilizar” por usar
Troque “efetuar o pagamento” por pagar
Troque “no que concerne a” por sobre
Troque “faz-se mister ressaltar” por é importante lembrar
Parece simples demais? É porque é. Mas a maioria das pessoas não faz, porque acha que texto profissional precisa ser complicado. É exatamente o contrário.
Três passos para escrever como humano (mesmo no trabalho)
1. Pense na pessoa, não no papel – Antes de escrever, pergunte-se: quem vai ler isso? O que essa pessoa precisa saber? Como ela se sente? Escreva para essa pessoa, não para o arquivo.
2. Corte tudo o que não serve – Depois de escrever, releia e pergunte: essa palavra ajuda ou atrapalha? Se não ajuda, corte. Texto bom é texto enxuto. Cada frase precisa ganhar seu lugar.
3. Leia em voz alta- Esse é o truque mais poderoso. Se você tropeça ao ler em voz alta, o leitor também vai tropeçar. Se soa estranho falando, soa estranho lendo. Se não flui na boca, não flui no texto.
E o relatório anual? Ele também pode ser humano
Aqui está a reviravolta: mesmo um relatório anual pode, e deve ser escrito para humanos. Números importam, mas as pessoas não leem números frios. Elas leem histórias.
Em vez de “a empresa obteve crescimento de 15% no trimestre”, tente “crescemos 15% e isso significa que 200 famílias a mais confiam no nosso trabalho”.
A diferença? A primeira frase informa. A segunda conecta.
Resumindo
A escrita burocrática afasta as pessoas — escrevemos para impressionar, não para comunicar
- Escreva como você fala; clareza vence sofisticação
- Pense na pessoa que vai ler, não no papel
- Corte o que não serve e leia em voz alta
- Até relatórios podem ser humanos — conecte, não apenas informe
Escrever para humanos não é dumbing down (rebaixar o nível). É respeito — pelo tempo e pela atenção de quem lê. E quando você respeita o leitor, ele responde: lê, entende e age.